Chuvas de Estrelas

Liridas – 2013

  • 15 de Abril de 2013

2013-04-15 20.22.36As Liridas, é uma chuva de (estrelas) meteoros que está associada ao cometa C/1861 G1 (Thatcher) e é visível anualmente entre os dias 16 e 25 de Abril. Tem a sua actividade máxima no dia 22, quando poderão ser observados até 18 meteoros por hora (previstos). O seu radiante encontra-se próximo da bonita estrela Vega, a estrela mais brilhante da constelação da Lira.

Como sabem, as chuvas de meteoros são popularmente mais conhecidas por “chuvas de estrelas“. Esta denominação aparece pelo desconhecimento da origem dos traços originados pela entrada que um meteoro pode provocar na atmosfera.

Esta chuva tem o seu nome derivado à origem do seu o seu radiante, ou seja, o ponto de origem de onde parece provir, da constelação da Lira, mais concretamente das proximidades da estrela alpha Lyr (Vega).

Esta chuva é formada por meteoros brilhantes e que normalmente deixam longos rastos, provocados pela intersecção da órbita da Terra com a órbita do cometa.

Infelizmente este ano temos a Lua em quase cheia no dia do seu máximo e só se põe por volta das 04:30 da madrugada. E o que significa isto? Bem, pior só com nuvens a tapar. É que o brilho da Lua vai atrapalhar e muito a observação. Todos os meteoros mais ténues ficarão apagados pelo brilho que a Lua estará a debitar nessa noite (magnitude de quase -13) e só nos restarão os mais brilhantes… e provavelmente esses não serão muitos. Mas como a média zenital esperada é de cerca de 18 meteoros / hora, pelo menos espera-se poder ver-se alguma coisa ainda assim. O radiante aparecerá nesse dia acima do horizonte perto da 21:30.

Como observar visualmente:

Não precisa de nenhum equipamento especial para observar as chuvas de estrelas. Apenas é necessário que as condições climatéricas permitam ver o espectáculo. A previsão é de céu mais ou menos limpo, portanto é de aproveitar.
A Lua este ano só nos vai permitir ver os meteoros mais brilhantes, pelo que será necessária atenção redobrada.

É natural que os amadores que observem um evento destes pela primeira vez, achem muito desanimador por conseguir ver poucos meteoros ou mesmo quase nenhum, mas este tipo de eventos requer paciência e persistência. Será necessário esperar que o radiante suba no horizonte para ver o número de meteoros aumentar. Não basta vir à rua, olhar para o céu durante cinco minutos e esperar ver de imediato alguma coisa. As palavras chave para uma noite de sucesso são: paciência e persistência.

O lugar de observação deve ser o mais afastado possível da poluição luminosa. O mais longe possível das cidades, porque quanto mais escuro for o céu mais meteoros ténues se poderão observar. Se pretende observar de sua casa, apague todas as luzes possíveis e espere cerca de 15 minutos para os seus olhos se ambientarem totalmente ao escuro.

Para que a observação seja confortável leve para o local uma cadeira de praia (espreguiçadeira) em que o encosto possa ficar inclinado, ou então um saco cama para poder ficar deitado. Quanto mais confortável estiver melhor será a experiência. Se a noite estiver fresca (e é possível que esteja bastante fresca a esta altura do ano), não esquecer da roupa adicional para proteger do frio e da humidade.

Se quiser registar as suas observações, não se esqueça de levar papel e lápis (o lápis é importante porque as esferográficas tendem a não escrever se estiver deitado), uma lanterna de luz vermelha e / ou um sistema de gravação de voz. Para os smartphones, poderão usar esta aplicação gratuita para Android.

Não tente focar a sua observação num objecto concreto, porque em pouco tempo perde o seu campo de visão alargado para ficar fixo num único objecto. Tente observar em direcções diferentes (se bem que, pela lei de Murphy verificará que os melhores meteoros vão sempre aparecer no local para onde não está a olhar).

Fotografar as Liridas

Fotografar chuvas de estrelas é muito fácil porque não necessitamos de fazer seguimento, algo do género que é mais necessário para outros objectos astronómicos. Para isso basta:

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  • Preferência para o uso de câmara digital reflex que disponha da posição de abertura manual.
  • Se a sua máquina não é reflex mas ainda assim possui a posição manual, configure-a para o máximo de exposição possível e o maior ISO disponível (50/100/200/400/800/1600).
  • A objectiva deve ser de 50 ou 28mm e a mais luminosa possível (f/1.2 – f/2) de forma a poder captar-se um grande campo de visão. É preferível usar uma objectiva de 50mm a f/1.2 do que uma de 28mm a f/2.4, porque a primeira é mais luminosa que a segunda, captando assim os meteoros mais débeis.
  • Um tripé é essencial para que a máquina esteja estacionada durante a exposição. Não tente fazer exposições sem tripé, elas não lhe servirão absolutamente para nada.
  • Um cabo disparador com fecho para poder manter o obturador aberto ou comando disparador para que possa disparar a máquina sem lhe tocar. Opcionalmente poderá usar os temporizadores automáticos.

Uma vez estes equipamentos reunidos, deve-se proceder da seguinte forma:

  • Orienta-se a máquina para o zénite ou na direcção oposta ao radiante. Os melhores meteoros passarão nessas zonas, no radiante serão muito pontuais e curtos.
  • Deve-se ajustar a abertura do diafragma para o seu máximo, ou seja para o valor mínimo que a sua câmara possa dar, 1.2, 1.8, etc. sempre o valor oposto a 16 ou 32, que equivalem ao diafragma fechado ao seu máximo.
  • A focagem deve ser feita para o infinito. Durante a noite as máquinas com focagem automática não conseguirão focar quando viradas para o céu. Use a focagem em modo manual.
  • O tempo de exposição deve ser o máximo possível (máquinas digitais) ou o T, B ou M (nas máquinas reflex).
  • O tempo por cada fotografia deve variar entre 5 a 10 minutos dependendo o ISO a usar, da abertura do diafragma e da poluição luminosa existente no local. Uma exposição prolongada perto de uma cidade pode resultar numa foto com o céu muito esbranquiçado. Se usar ISO 3200 e estiver perto de uma cidade não passe de exposições de 5 minutos. Deve usar experimentação, experimentação, experimentação!
  • É também recomendado (salvo se o numero de meteoros for muito grande) cortar a exposição se tivermos a certeza que captamos algum meteoro na imagem. É preferível captar um meteoro do que dois se “queimarmos” demais a imagem em que depois o resultado é nulo.

Se as suas fotografias forem bem efectuadas, poderá observar uma série de rastos curvos deixados pelo movimento das estrelas ao redor do pólo norte e cruzado – se teve sorte – poderá ver os rastos rectilíneos dos meteoros.

Boas observações a todos! Fico à espera dos vossos comentários e das vossas fotografias!

Notas:

  • Zénite – é o termo técnico que designa o ponto (imaginário) interceptado por um eixo vertical (imaginário) traçado a partir da cabeça de um observador (localizado sobre a superfície terrestre) e que se prolonga até à esfera celeste.
  • O radiante de uma chuva de meteoros é um ponto no céu de onde (para um observador num planeta) os meteoros parecem originar.
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